quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Efeito químico.
O homem chegou em casa depressa. Bateu a porta e entrou correndo. Como se a rapidez de seus passos conseguisse, de alguma forma, diminuir a dor que sentira. Aquilo deveria ter uma explicação: Não chorava há anos. Para ser exato, há anos escondia aquilo que chamava de 'fraqueza emocional'. Era alto, barbado, forte, "esconder os sentimentos sendo assim deve ser mais fácil" - pensava. Entretanto, naquela tarde era diferente, uma tempestade começou, sem avisar e tomou a tarde toda. O homem, então, fez o de costume para dias de dores como essa: Pegou uma cartela de diazepam e tomou o comprido final. Era dessa forma que se escondia: Fraqueza transformada em calmantes e tarjas-preta que o tornavam cada vez mais recluso, fechado. Por fim, adormeceu. O dia já havia ido embora quando o homem acordou e ao olhar pela janela, viu que a chuva permanecia. O som da chuva caindo mesclava-se ao barulho da carta de Valium que repousava sobre a cama mas agora havia caído no chão. Olhando para aquilo que, por pior que fosse, não passava, e, principalmente, para aquela fantasia de conformidade de vida estampada em cartela de remédio, o homem começou a chorar. Como nunca antes. Como se aqueles anos conseguissem sair em formato de lágrimas numa tarde como aquela. Em um breve momento de lucidez repetia: "Deve ser os efeitos do remédio" - repetia - "são só os remédios".
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