domingo, 29 de janeiro de 2012
Ah, os vinte e poucos...
É sempre assim: O mundo vai acabar, nada nunca vai dar certo, se não for agora não vai ser mais. Ter vinte (ou vinte e poucos) anos e ver algo dando errado não é fácil, ainda mais quando a escolha é alheia a nossa. Querer pertencer a um grande grupo ou ser parte de todos os acontecimentos é quase obrigação e, não importa o que falem, por si só você (acha que) sabe: Não pode sequer pensar em falhar aos vinte anos. Ora, mas que bobagem! Definir a vida toda com menos de um quarto de século não é obrigação, é simplesmente um capricho, uma vontade. E não se trata nem de conformidadade, a palavra aqui é “entendimento”. Amadurecer requer abrir mão do que - para nós, meros jovens mortais - é necessário. Com o tempo se descobre que as oportunidades continuarão se abrindo à nossa frente e, muita coisa que não deu certo agora, poderá ser melhor depois. Nós só temos vinte anos, e, pra que toda essa obrigação de fazer tudo acontecer já? Calma, menina! A vida há de esperar (nem que seja um pouco) até que finalmente descobriremos - às vezes mesmo que tarde ou à duras penas - pra quê esse medo de perder? Pra que evitar certos riscos? Nós somos mesmo “tão jovens”. :)
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Ao que virá
"... apaixonar-se mais pelo supor-se apaixonado do que pelo objeto da paixão propriamente dito."
E logo eu que fui sempre tão independente,
Me pego distraída, vagueando, pensando apenas nos seus olhos,
Eu nem te conheço, nem sei a cor deles, mas eu sei exatamente o jeito que eles vão brilhar ao me ver,
Da mesma forma que já saberei bem o que te faz sorrir e já sei o quanto isso tem uma parte de mim
Suas mãos se encaixarão às minhas e eu prefiro que elas ficassem assim, entrelaçadas para sempre, como se tivessem se encontrado para sempre
Vou me lembrar de você antes de dormir, prometo, e às vezes até te abraço em pensamento
Você vai conhecer todos aqueles e aquelas que eu já tinha antes de você, e eu sorrio porque eles serão agora parte de nós
E então, continuarás sendo o dono dos meus versos, existe esse, mesmo sem ainda te conhecer,
Se vai ser pra sempre, é cedo pra saber, mas vai ser parte, intenso.
Desde o começo te avisei que tinha asas, menino
Você já me mostrou as suas
Eu sempre soube que você voaria,
Mas, se desejar, me leve contigo
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Relações.
Quando você é feliz só pelo fato de estar do lado de uma pessoa, é sinal de que, no mínimo, você conseguiu alguém especial pra vida toda. E eu poderia passar horas falando de amor, de relacionamentos, de futuros casamentos e daquela paixão louca que cega os amantes, mas não, o fato aqui é simplesmente "estar junto", e nem precisa ser romântico, nem precisa ser casal, nem precisa ter cobrança, nem precisa ser namoro, só precisa estar lá - com uma pitada de um amor um tanto egoísta - o tempo todo. Ter alguém que te protege do mundo, alguém que você nem lembra de pensar antes de contar qualquer coisa. Foge só de amizade, já que ela por si só é pouco pra definir tanto amor. É apenas sobre criar laços que não devem ser cortados. E por fim, é sobre acordar - nas madrugadas, nas manhãs, nas tardes - e sorrir por ter alguém do seu lado. Alguém que pode até não ser só seu, mas que tem o dom de fazer a sua vida mais feliz.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Efeito químico.
O homem chegou em casa depressa. Bateu a porta e entrou correndo. Como se a rapidez de seus passos conseguisse, de alguma forma, diminuir a dor que sentira. Aquilo deveria ter uma explicação: Não chorava há anos. Para ser exato, há anos escondia aquilo que chamava de 'fraqueza emocional'. Era alto, barbado, forte, "esconder os sentimentos sendo assim deve ser mais fácil" - pensava. Entretanto, naquela tarde era diferente, uma tempestade começou, sem avisar e tomou a tarde toda. O homem, então, fez o de costume para dias de dores como essa: Pegou uma cartela de diazepam e tomou o comprido final. Era dessa forma que se escondia: Fraqueza transformada em calmantes e tarjas-preta que o tornavam cada vez mais recluso, fechado. Por fim, adormeceu. O dia já havia ido embora quando o homem acordou e ao olhar pela janela, viu que a chuva permanecia. O som da chuva caindo mesclava-se ao barulho da carta de Valium que repousava sobre a cama mas agora havia caído no chão. Olhando para aquilo que, por pior que fosse, não passava, e, principalmente, para aquela fantasia de conformidade de vida estampada em cartela de remédio, o homem começou a chorar. Como nunca antes. Como se aqueles anos conseguissem sair em formato de lágrimas numa tarde como aquela. Em um breve momento de lucidez repetia: "Deve ser os efeitos do remédio" - repetia - "são só os remédios".
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