Uma das coisas de que mais gosto na vida é ficar decifrando meus amigos. Analisando características, vendo no que eles se diferenciam e, principalmente, no que eles se parecem. O gosto de um difere do gosto do outro. Já o gesto de um me lembra demais o gesto do outro. Acho que no fundo, o que eu procuro mesmo é tentar entender como é que num mundo tão grande certas pessoas se encontram, se reconhecem e pretendem nunca mais se separar. Eu não seria reducionista dizendo que é um mero acaso, eu diria que é quase uma conquista. Até porque, tem coisa mais linda do que gostar de outra simplesmente pelo que ela é? Eu não me envergonho. Passo boa parte da vida elogiando os meus amigos. Sou apaixonada por eles. Não faço diferença e nem escolha. Mando mensagem pra um quando estou com outro. Lembro de todos todo o tempo. Acredito que no fundo isso é só uma tentativa de um desejo que me parece quase impossível: Manter todos eles bem perto.
Olhando para todos eles eu só posso agradecer e ter uma certeza: Eu tenho mesmo é muita sorte.
Decifra-me ou te devoro
ResponderExcluirVocê é assim pra mim:
ResponderExcluir"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."
Oscar Wilde